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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

13
Fev16

Inverão.

Ontem, antes de sair de casa, olhei pela minha janela. As árvores abanavam por tudo o que era sítio, a chuva não dava descanso e depois de um e outro resmungo da minha parte reparei num senhor, debaixo de uma varanda de um prédio ao longe. Apenas de camisa, de mangas arregaçadas, tratava do seu almoço. Estava munido com uma cadeira, para ocupar em alturas em que era necessário matar o tempo, e com uma churrasqueira portátil. O seu almoço ia ser peixe grelhado, porque mesmo ao longe eu conseguia ver o peixe a ser beijado pelo fogo. Fascinada, fiquei a olhar por um bocado.

Uma das coisas que eu acho irritante são as constatações do tempo como se este fosse uma anormalidade. Os meus avós fazem-no muito: "Está frio!", "Poxa, só chove, só chove!", exclamações feitas como se não estivéssemos no Inverno e o mau tempo não fosse uma coisa normal. É como se toda a anormalidade deixasse as pessoas em stand by e elas só retomassem a vida quando a Primavera regressa. Gostei do que vi quando me deparei com aquele homem. Vi-o como um não deixar-se ficar, vi-o como um "E daí?". Será idiota sentir-me fascinada pela sua reacção à vida? Será parvo sentir-me maravilhada por aquilo que vejo como uma noção de que o tempo não pára e de que o mau tempo não suaviza a vida? O que eu mais apreciei mesmo foi a sua audácia. Ele estava claramente a desafiar o mau tempo e não só pela pouca roupa que envergava na rua. Estava a tratar o Inverno como se este fosse Verão. Aposto que almoço lhe soube a céu, como sabe a mim uma pizza após um dia em jejum.

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