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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

24
Jun16

Despida.

Esta quinta-feira fui à apresentação do novo livro do Pedro Chagas Freitas a convite do mesmo. Ok, na verdade, o convite não foi explicitamente dirigido a mim, mas foi ao meu pai e nele o Pedro apelava a presença do meu pai e da sua família portanto: fui a seu convite: indirectamente. Fui mais na função de acompanhante. Sentei-me ao pé de uma janela que tinha uma vista maravilhosa para a baixa de Lisboa na companhia de três senhoras idosas que viam umas revistas e descansavam os pés cansados. O Pedro chegou atrasado e o momento em que coloquei os olhos nele foi apenas no fim. Ainda assim, mantive-me atenta ao que ia sendo dito. Uma das senhoras que estava ao pé de mim disse em jeito de comentário com outra que era mais de ouvir do que ver e eu fui na mesma onda enquanto mexia no telemóvel. Ri-me com algumas coisas que o Pedro disse porque era totalmente Disney, escondi sorrisos porque determinadas coisas eram muito ao estilo de Nora Roberts, revirei os olhos porque nem depois de arrumar o seminário me livro do tema da Identidade e das suas ramificações - identidade pessoal, consciência e narrativa; socorro! -. Foi mesmo antes de ele acabar a apresentação que decidiu ler um excerto do seu novo livro. Uma situação com ponderações de uma criança em conversa com a sua mãe e eu ouvi, deliciada, tão esmagada por aquilo que estava a ouvir que me emocionei. Não disse nada de mais, no entanto, ali estava eu, satisfeita e tocada e prestes a chorar com o que estava a ouvir porque não estou habituada a ser exposta. Foi isso que aconteceu. Ele, com o seu excerto, tocou-me. Falou, de uma forma bonita, de coisas que eu penso, exactamente da maneira que penso e que não é comum ver-se pensado. Mas ali estavam o raio das palavras a despir-me. Desnudou-me o espírito e a única maneira de me cobrir foi baixar o rosto. Fiquei com vontade de ler o que o Pedro Chagas Freitas tem por dizer. E como não quando me vejo rodeada de incentivos? Ora, também eu me chamo Bárbara.

21
Jun16

Almost there.

Muitas foram as vezes que me manifestei em relação ao seminário que eu tinha para fazer, o trabalho que me dava que me obrigava a olhar para praticamente mais nada além disso. Esforcei-me como tudo para o concluir: passei três meses de nariz enfiado nos livros da biblioteca e em documentos digitais, em pesquisa para definir o trabalho que tanto me assombrava sem, ao mesmo tempo, descurar de outras cadeiras que tinha para fazer e ainda tudo o resto, fora do meio académico, que tinha para fazer. Oh, há muita gente capaz de mais, que se atira em muitas mais obrigações do que aquelas que eu tinha, mas o que eu tinha em mãos era o suficiente para eu me sentir uma Super. Em pouco mais de três meses eu reduzi drasticamente as minhas horas de sono. Fui a aulas, tratei de pesquisa para o seminário, debrucei-me em trabalhos para outras cadeiras, passei fins-de-semana exaustivos, exclusivamente dedicados a limpezas, por dias em que passei pilhas de roupa por horas e à noite ainda me ia atirar a estudo, fiz filmagens e a edição de um vídeo surpresa para o aniversário do meu pai, tratei da sua festa e ainda aproveitei pequenos momentos para respirar onde fui ao cinema, concertos e passear para tirar fotografias: estes três sem dúvida o bálsamo para a minha alma.

Ontem saí com metade de um calmante no organismo porque era necessário. Apanhei o autocarro que me iria levar à estação de comboios e apanhei o comboio que me iria levar a Lisboa. Durante o caminho ouvi 30 Seconds to Mars, Muse, Kings of Leon, Coldplay e Sia para manter o meu espírito firme. Ter uma conversa sobre um trabalho já é mau para mim; quando este é a respeito do final do teu curso o pânico é ainda maior. Porque o seminário é sobre isso que se trata: um trabalho de final de curso que tem de ser exposto a professores. Isto, aliado a uma outra cadeira que ainda estou a agarrar pelos cornos, era o meu monstro pessoal. Tinha medo de não conseguir apesar do meu esforço porque, infelizmente, a quantidade de tentativas a que já me remeti neste curso já me feriu o bastante para eu, sempre que me atiro numa nova tentativa, fique com medo com que poderá vir. Passei três meses praticamente na incógnita com o prof que me estava a orientar o trabalho e três meses a ouvir críticas da prof que estava a dar o seminário. A cada semana que passava eu apresentava-lhe mais coisas, melhorava em relação à semana anterior e ela sem se mostrar capaz de me dizer uma palavra encorajadora durante todo esse tempo. Cheguei a pensar em desistir uma vez ou outra mas foram pensamentos com tão pouca intensidade que me espantei a mim mesma. Então, apesar das críticas, apesar de não me sentir encorajada, fiz a única coisa que me pareceu ser possível fazer: continuar a tentar e a tentar, agarrada às coisas que gosto para manter a cabeça fora de água enquanto o meu corpo se afundava. E eu tanto tentei que ao aproximar-me do final das aulas a prof começou por fim a elogiar o meu trabalho e a dizer-se surpreendida pela positiva. E o prof que estava a orientar o meu trabalho: esse afirmou estar impressionado e curioso quanto ao que eu iria apresentar.

Tinha dois trabalhos a entregar na mesma data e durante uns dias eu estive consumida pelo stress. O trabalho que eu estava a fazer para o seminário levou referências à Alice no País das Maravilhas, ao Inside Out, a um romance da Michelle Holman e a outro da Nora Roberts; gerou infinitos bloqueios que me levaram a vários prantos e o último foi realmente crítico ao ponto de eu precisar que alguém interferisse para me colocar a cabeça no lugar porque não estava a conseguir escrever. Contudo, consegui. Consegui acabar de escrever, entreguei o trabalho dentro da data limite e voilà: ontem fui expor o meu trabalho oralmente, nervosa como tudo, dando pouca relevância ao facto de no sábado o prof responsável pelo meu trabalho ter dito que tinha gostado muito do mesmo, dando pouca relevância ao facto de ontem, mesmo antes de eu começar a expor, o prof em questão ter dito "parabéns, já foi aprovada"; os nervos, senhoras e senhores, são lixados, tremendamente lixados.

O meu modo para lidar com este trabalho foi simples: uma vez que todos os trabalhos que fiz com prazer até então foram relacionados com coisas que me interessam e gosto, tratei de fazer isso com o seminário. Peguei no tema da identidade porque, no semestre passado, fiz um trabalho sobre moda e relacionei esse tema com a identidade e adorei. Depois limitei-me a expor-me: a usar Disney e histórias de amor para clarificar as minhas ideias sobre as perspectivas de filósofos, limitei-me a colocar um bocado de mim e a rezar que tudo, com a magia certa, desse resultado.

Ontem estive a ponto de passar mal pelo coração que me saía do peito e ontem tive uma das melhores sensações de sempre quando, após deliberarem a nota que me iriam dar, os professores me informaram que eu fiz o seminário e que o concluí com uma nota bem superior à que eu pensava que iria ter quando comecei a investir neste trabalho. Estou a começar a respirar fundo e a sentir que consigo lidar com isto. Consegui não chorar depois de saber a minha nota e que tinha ultrapassado um obstáculo tão grande que tinha à frente. Liguei para os meus pais e avisei quem me tinha oferecido o seu apoio; eles sem noção de que com isso me tinham oferecido o mundo. Fui o caminho todo para casa a sorrir e no autocarro, satisfeita e orgulhosa pelo meu esforço, respirei fundo e sorri mais: o autocarro cheirava a batatas fritas.

Sabe tão, tão bem ver o meu esforço realmente recompensado, sabe tão bem sentir que estou a duas pegadas de dinossauro de terminar o curso. Falta tão pouco...! Como disse a Tiana: "foram testes e problemas que eu não vou esquecer...subi a montanha, atravessei o rio, estou quase lá, estou quase lá, estou quase lá!"

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