Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

01
Jun16

Sobre o Rock in Rio.

20160520_175144.jpgNo Natal, a Smartie ofereceu-me um bilhete para ir a um dia à minha escolha do Rock in Rio Lisboa este ano. Depois de esperar que praticamente todo o cartaz estivesse completo eu atirei-me para o dia 20 de Maio: o dia dos Queen. Tenho a dizer que de todas as edições que foram feitas em Portugal até então, esta pareceu-me a mais desastrosa: preços mais altos para uma qualidade inferior. Houve a promessa de um cartaz de arrasar e eu percebi que o evento ficou tão aquém da minha expectativa que se já não tivesse bilhete e não pudesse ir eu ficaria de bem com a vida. E o desespero para se vender bilhetes? O excesso de publicidade na televisão, em cartazes pelo país, as promoções das lojas que começou com o Continente (esta já tinha acontecido no último ano do festival), com a Fnac a vender primeiro com 10% de desconto e depois com 20%. Dizem que o dia dos Queen (e dos M5) estava praticamente esgotado, mas que me parece claro que as vendas não foram fáceis, parece.

Mas falemos das coisas boas, falemos sobre como a minha experiência no dia 20 do Rock in Rio superou as minhas expectativas. Estava bem acompanhada. Os meus pais são fans de Queen desde sempre e não quiseram perder o show. Uma das minhas irmãs renunciou a ida ao baile de finalistas para ir ver Queen. Também me vi acompanhada pela Smartie e o seu tio. Houve boa disposição para dar e vender. Ri-me até mais não, senti-me bem, leve e desperdicei tempo nenhum a pensar nas minhas obrigações para com a escola. Fui para me divertir e passar um tempo fantástico e foi isso mesmo que eu fiz.

Menos actuações no palco principal: eis o ponto que eu pensava mais desastroso. Fui para o festival a achar a produção ainda mais decadente por atirarem um musical do Rock in Rio para o povo se entreter antes das actuações...mas enganei-me. De podre não teve nada. Foi divertido. Fizeram ali uma viagem pelas edições do RiR, desde a primeira de todas até à recente, a de 2016, mencionando Iron Maiden, AC/DC, Queen, Amy Winehouse, The Black Eyed Peas, entre tantos artistas que marcaram as muitas edições do Rock in Rio. Lavei a mente com sabão por ter andado a pensar tão mal sobre este musical. Fez-me perceber que era um modo original e engraçado de dar início à festa. Uma homenagem à música antes da música do dia. E depois? A jeitosa da Fergie deu o ar da sua graça.

DSC04421.JPGEla foi potencialmente a única pessoa a que não manifestei nenhuma cara feia por comparecer no festival,  - fora os Queen -. Muito influenciada por gostar de Black Eyed Peas, claro. Mas lá está: ela não veio com o grupo, veio para se apresentar a solo. Porque não me lembrava de ela ter material suficiente sozinha para fazer um concerto, pensei que ela fosse cantar temas seus e alguns dos Black Eyed Peas. Não me enganei. Dancei e cantei ao som de Fergalicious, London Bridge, Hey Mama, Don't Phunk With my Heart, deliciada por ela ainda nos ter presenteado, entre várias covers, com uma de uma música dos Stones. Foi um concerto fixe, energético, que me levou a tirar o pé do chão e a ter a certeza de que o dia já estava ganho: boa onda e estava a gostar de mais coisas além do único concerto que eu supunha ser o único a valer a pena. O concerto dos Queen, com o sósia do Bill Kaulitz, não foi, então, a única coisa de jeito do dia 20 de Maio, mas foi brutal e foi o que fez com que a prenda que a Smartie me deu no Natal valesse muito mais a pena. O concerto passou na televisão: não preciso de me alongar e de dizer tintim por tintim o que aconteceu. Posso dizer, contudo, que a homenagem ao Freddie Mercury que é feita em palco é bem melhor ao vivo do que aquilo que passou na TV.

DSC04476.JPGNo dia do concerto dos Muse, as duas raparigas que estavam à minha frente na fila comentavam sobre os concertos que se iriam dar em Maio e um dos que não deixaram de falar foi dos Queen. Estavam incomodadas porque quem estava a dar a voz às músicas não soava nada como o Freddie e que os concertos ficariam bem melhores se no lugar do sósia do Bill estivesse o Mika. O meu espírito riu-se delas na altura enquanto lia a Guerra dos Tronos e porque a conversa não era comigo contive o comentário de que o objectivo não é fazer soar igual ao Freddie, o objectivo é homenagear um dos melhores artistas de todos os tempos. O Adam Lambert surpreendeu-me pela positiva. Dei-lhe pontos à partida por, evidentemente, termos o mesmo ídolo (Bill Kaulitz!), mas à medida que o concerto decorria fui obrigada a reconhecer o seu talento. O rapaz sabe cantar, sabe actuar e ser um artista. E podemos só falar como o rapaz actuava que se fartava e por momento algum fez com que aquele show fosse sobre ele? Deu e sobressaiu a importância dos Queen. Ainda que, sim, sejam eles os grandes, apreciei o facto do Brian May tirar o micro ao Adam e reconhecer o talento do rapaz. Merecido. E wow.

Sem saber bem como, cá em casa arranjou-se mais bilhetes para o Rock in Rio. Ok, minto. Eu sei bem como: desistências. Um dia o meu pai informa-me, do nada, que tem dois bilhetes para ir no dia 27 ao festival, noutro anterior diz-me que arranjou um bilhete para ir no dia 28. Não estou a dizer que este ano fui três vezes ao Rock in Rio. Não. Fui duas. Comprometi-me a ir a uma festa no dia 27 e, portanto, esse dia ficou sem efeito para mim e, convenhamos: não perdi grande coisa. Fui, então, dia 28 ao Rock in Rio, acompanhar uma das minhas irmãs e a Smartie que queria ver os M5. Foi a segunda vez que vi a Ivete Sangalo e os Maroon 5...que não gosto. Vi-os pela primeira vez em 2012, também no Rock in Rio, porque queria ver o Lenny Kravitz. Não gostava de M5 na altura, continuo a não gostar agora. Então, se não aprecio nenhum dos artistas que tocaram no RiR dia 28, o que fui lá fazer? Basicamente, aproveitar o festival. Dei uma volta pelo recinto, quis pintar a cara e parecer uma índia, mas não tenho perfil para esperar duas horas numa fila que anda a passo de caracol para só me fazerem dois riscos com tinta verde em cada bochecha, ou para andar na roda gigante, ou receber um daqueles sofás insufláveis que, por acaso, abomino. Ouvi um sambinha na Rock Street, dei uns goles na caipirinha da Smartie, diverti-me com ela e desfrutei do contentamento da minha irmã que foi, basicamente, o melhor de tudo, aliado à chuva.

Não posso deixar de dizer que fingir-me de fan louca também foi uma boa forma de ocupar o tempo. Gritei pelos D.A.M.A., fingi saber as letras das músicas e tirei o pé do chão quando a Ivete foi para o palco. Tudo porque as pessoas não sabem respeitar o espaço pessoal de outras e para reclamar o que é meu por direito, ou salvar a mala da Smartie de ser pisada, abri a goela. Nada que uns gritos histéricos não tenham resolvido. Manter o puto à minha frente longe de nós, silenciar o seu vídeo com os meus gritos, foi divertido - impressão minha ou a mãe dele parecia uma professora minha do secundário?! -.

DSC04544.JPGSe os concertos de dia 28 foram maus? Não sou fan dos D.A.M.A, não sou fan da Ivete e muito-muito menos dos M5, contudo, o meu ponto de vista não é afectado pelo meu não-gosto: apesar de não gostar, tenho de ser honesta e a verdade é que a Ivete agitou aquele mar de gatos-pingados e a sua banda fez maravilhas porque a música que tocavam fez as minhas pernas agitarem-se e o meu rabo abanar ora para um lado, ora para o outro. E os Maroon 5? Não gosto de ouvir o Adam Levine. Mas a música não foi nada má. Os músicos fizeram um óptimo trabalho! O que mais gostei? A apresentação da banda e o fim: não por terminar, mas por ter sido a única altura em que tocaram duas das únicas três músicas que gosto deles. Para mim, o homem toca bem melhor guitarra. Prefiro-o a tocar do que a cantar. O que vale é que, no meio de tantos fans, o que se sobrepôs aos meus ouvidos foram as vozes amadoras e não a do profissional.

Confrontando o dia 28 com o dia 20, para mim o dia 20 foi bem melhor musicalmente, o que é, provavelmente, previsível aos olhos de todos. Fiz alguns registos das duas datas e partilhei alguns vídeos tanto no insta e no face que os mais curiosos podem ver aqui, mas o aviso fica feito: por enquanto, nada de Maroon 5: [x] [x] [x] [x] [x] [x] [x] [x] [x].

Não foi, de todo, a melhor edição do Rock in Rio em Lisboa, repito. No entanto, houve coisas bem boas a guardar da experiência: 1) foi a primeira vez que compareci a dois dias de um mesmo festival, com a hipótese de ir a um terceiro; 2) estive com pessoas que amo profundamente e, mais do que desfrutar das coisas por mim, nada me parece melhor do que ver essas pessoas felizes e a desfrutar do que eu gosto; 3) daqui a milhões de anos, quando fizer um balanço daquilo que vi, posso falar de boca cheia quando afirmar que tive a oportunidade ver e ouvir o Roger Taylor e o Brian May a tocarem Queen, ao vivo, para mim.

Mais sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

E-mail