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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

09
Ago16

Meo Sudoeste.

13696906_664705303696330_939878785_n.jpgAntes mesmo de Agosto chegar ele já se avizinhava um mês de reboliços, com um sabor doce e amargo ao mesmo tempo; quer dizer: é o último mês de férias. Mas se eu não pensar nisso, Agosto, este ano, estava e está preenchido com coisas boas: comecei o mês em Tomar, o meu primo de Moçambique já cá está, avizinham-se mil saídas e programas que vão de cinema a passeios que se vão traduzir em fotos e mais fotos. Agosto também me trouxe a oportunidade de ver a Sia ao vivo, então este sábado levei o rabo para o Sudoeste. Aqui estava algo por que estava mortinha por passar.

Quando soube que ela vinha a Portugal ocupei a cabeça com meios para a ver. Normalmente, o facto de um concerto ou festival não se dar assim tão perto de mim desmotiva-me a continuar a insistir na ideia de ir, contudo, a Sia é uma cantora dos diabos: eu queria muito ouvi-la ao vivo! E, fantástico-fantástico: com carta de condução é muito mais fácil ir a este tipo de coisas, longe, por mim mesma. Não pensei, percebi depois, que me estava a atirar para um concerto em Agosto, em pleno Verão, no Alentejo.

Derreti. Mesmo com quilos de protector solar em cima acho que isso pouco me valeu. Assei junto às grades durante horas, bebendo água como se a minha vida dependesse disso - e dependia -, preocupada porque o sol incomodava mas não queria ficar com a marca dos óculos na cara. Tornei-me líquido em algum momento das seis horas por que passei à espera de música ao vivo, morrendo com o disco riscado da Mega Hits, ressuscitando com a SIC que apareceu e acabou por entrevistar uma das minhas irmãs e a Smartie. O pôr-do-sol foi realmente uma bênção, mas tudo valeu a pena. E numa hipótese de repetir? Fazia de novo.

DSC05319.JPGMuito depois de ter o bilhete descobri que o Diogo Piçarra também iria marcar presença no Sudoeste e que o iria fazer exactamente para o dia seis. É potencialmente o único artista português que me vejo a ouvir e fiquei contente pela oportunidade de o ir ouvir ao vivo. Já o tinha visto pessoalmente, dado dois dedos de conversa e até tirado uma foto com ele, mas ouvi-lo ainda não. E estava desejosa de o fazer e constatar o seu valor fora das correcções de imperfeições que costumam ser usuais nas músicas de estúdio. E a coisa começou bem porque a primeira música com que ele brindou o público foi uma dessas que eu queria ouvir.

Foi o primeiro artista a inaugurar o palco principal no sábado, mas já durante a tarde ele chegou a fazer uma aparição e a dizer olá a quem já estava à espera; findar as horas de espera com as suas músicas foi óptimo e confirma-se: o rapaz tem, de facto, talento.

Antes da Sia ainda vi o James Morrison e percebi que conhecia mais músicas suas do que pensava. O tempo que ele esteve em palco não foi nada mau. A sua música mostrou-se agradável, como eu me lembrava: boa onda. Mantive a máquina fotográfica quieta, no entanto: tudo para poupar para a Sia, mas não resisti em filmar um bocado da Broken Strings: sempre gostei imenso dessa música (o vídeo pode ser visto aqui).

DSC05364.JPGNum qualquer momento depois de saber que a Sia vinha cá eu passei a imaginar o show que ela iria dar ao vivo. E, também, num qualquer momento, acreditei mesmo que a mulher iria dar um concerto de cara descoberta e interagir com o público. Foi isso que aconteceu? Nop: ela passou o concerto todo num ponto em cima do palco e sempre que o pretendido era mexer-se vinha alguém ajudá-la a ir para onde queria - o que só aconteceu uma vez - ou então ia às apalpade-las, que foi o que a vi a fazer quando quis beber um bocado de água.

As únicas vezes que ela abriu a boca para falar com o público foi para dizer Olá, que sim: tinha-se enganado a cantar numa parte de uma música e Adeus. O seu concerto foi indiscutivelmente para a lista de concertos que já assisti e verifiquei uma falta de comunicação para com o público, a juntar-se aos Muse e à Beyoncé. Se o show foi, então, mau? Nada disso. Foi muito bom, muito na onda do que é ir ver Muse ao vivo: Sia ao vivo não é ver mas sim ouvir. É diferente do que costumo ver e só marcou pontos positivos por isso. Foi ver um show de dança contemporânea ao som da Sia que estava mesmo presente e a cantar ao vivo. Ela canta realmente como o caraças e eu vibrei com os seus temas, principalmente com Elastic Heart, Chandelier, Alive - eu bem tive de gritar naqueles "I'm still breathing, I'm alive" - e até o Bird set Free onde acabei por cantar de goela bem aberta "I don't wanna die, I don't wanna die" porque é daquelas afirmações bem fortes. Em suma: foi uma espectáculo diferente do que costumo ver, que gostei mesmo muito e o mistério que ela manteve em palco com a peruca não tornou o show pior aos meus olhos: só mais Sia.

Fui ao Sudoeste com o objectivo de ver a Sia. Não tinha qualquer interesse em ver o Steve Aoki, no entanto, por boquinhas de miúdas que estavam atrás de mim, das minhas irmãs e da Smartie, que queriam que nós saíssemos da frente para ocuparem o nosso lugar e verem melhor, só para chatear, mantive-me no meu lugar junto às grades, como se estivesse muito interessada no artista que era cabeça de cartaz. Tinha guardado aquele lugar durante horas e nunca tinha ficado tão perto do palco num festival: iria desfrutar dele até ao fim.

Com a saída da Sia do palco houve muita gente que se foi embora e deu lugar a loucos que com certeza já tinham fumado e bebido algumas. Foi no Steve Aoki que eu tive a experiência do que é estar num festival no meio de gente louca e junto às grandes. Fui esfregada por várias miúdas, levei com bóias e bandeiras na fronha, com cinza de cigarros em cima, com cones luminosos além de fumaça de coisas divertidas que as pessoas andavam a fumar ao pé de mim e dos famosos empurrões; também servi de base a desconhecidos que queriam colocar-se nos ombros de outras pessoas. A única coisa que garanti que não me era tirado era o meu espaço pessoal: esse mantive até ao fim.

Tudo terminou por volta das quatro da manhã o que, claro, significa que só voltei a casa no dia seguinte. Dormimos no carro por umas poucas horas e depois de amanhecer dormimos mais um pouco na praia da Zambujeira. Ainda demos uma volta por Odemira porque why not? e porque o cansaço era muito, o calor insuportável e já chegava de andanças, o regresso a casa foi feito depois do almoço.

A experiência do Sudoeste serviu para eu ver o que não é bem a minha onda. Fui, de facto, pelo Sia e a experiência valeu por isso, pois o festival em si foi o com menos nível a que eu já fui. O ambiente era chungoso, sujo e aquilo que para muitos era festivo para mim já roçava o azedo pela falta de tino e de respeito da maior parte das pessoas. Se isto não se verifica nos outros festivais? Acredito que sim. Sei que sim. Mas são coisas a que não estou habituada de uma forma tão desmedida.

A música foi boa: começou bem com o Piçarra (partilhei vídeos que podem ser vistos aqui: [x] [x] [x]), manteve o nível com o James Morrison, subiu a fasquia com a Sia que apresentou um espectáculo fantástico mas que eu compreendo que não atinja toda a gente (partilhei três vídeos que fiz e podem ser vistos aqui: [x] [x] [x]. Depois, para sobremesa, o festival atirou um Aoki que o pessoal gostou mas que não me aqueceu nem arrefeceu porque o homem só põe música a tocar, enlouquece, atira bolos e champanhe, mas que até ganhou pontos, para mim, pela interacção com o público. Não digo que não voltarei a meter os pés no Sudoeste, mas digo que para o fazer o artista que lá for tem de valer MESMO a pena.

Em conclusão, pelo que eu experienciei: música boa, o ambiente que podia ser muito-muito melhor, calor até dizer chega e eu a regressar a casa só no domingo à tarde. Tenho um braço mais bronzeado que o outro, estou mole do calor e pelas andanças do fim-de-semana, dorida mas satisfeita. No fim, a música supera sempre tudo e a que ouvi no Sudoeste, a que foi realmente tocada e cantada ao vivo, valeu a pena.

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