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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

19
Fev17

Roommates...ou gelado de chocolate.

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Estava tão deliciada quando terminei este livro que me quis atirar de cabeça a uma partilha de opinião na hora. O que importava que já fossem três da manhã de sábado? O que importava sentir que os meus olhos se queriam fechar? O que importava que só devesse terminar lá para as cinco da manhã? Eu estava com tudo ao rubro dentro de mim. O que fez mudar de opinião? Lavar os dentes. Fui à casa de banho à velocidade de um rocket e quando coloquei a escova na boca encarei-me no espelho, assustei-me e, por fim, tive dó de mim própria. Parecia que tinha levado dois murros nos olhos tais eram as marcas escuras por baixo dos mesmos. Um horror. Achei que presentear-me com dormida era merecido e prémio suficiente quando li este livro em menos de nada, para minha GRANDE surpresa.

Comecei-o como quem vai a um stand de automóveis olhar para carrões e não está interessada em mais do que um triciclo, logo depois de terminar o livro da Nora Roberts que andava a ler. Dei uma vista de olhos por diferentes livros e abri este, disposta a ver como tudo começava. Quando dei por mim já tinha lido os primeiros cinco capítulos e com isso fiz a sentença. Fui para a cama a pensar no livro, desejosa de continuar, coisa que fiz assim que acordei. Ignorei as lidas domésticas durante duas horas e concentrei-me no livro, devorando mais dez capítulos. Sexta-feira foi o suficiente para eu ler este livro todo. Agora que penso bem, devo-me ter concentrado nele por 24 horas, com pausas pelo meio. Comecei na madrugada de sexta e terminei na madrugada de sábado por volta da mesma hora. Eu não fazia disto um grande feito quando não é a primeira vez que eu leio livros em menos de nada. No entanto, este eu li em inglês e eu arrasto-me quando não leio as traduções portuguesas. Quer dizer, eu, para ler o Fifty Shades Darker, em inglês, demorei à volta de um mês. Este Roommates? Um dia. Foi, sem dúvida, uma novidade e talvez a vontade de dar voz à minha opinião tenha vindo por aí. Porque se eu li tão rápido...

Travei conhecimentos com este livro a partir do Goodreads, quando uma das pessoas que sigo o assinalou como lido. Curiosa, fui ver do que se tratava e fiquei tão interessada que acabei por arranjar os quatro livros que fazem a série - Obrigada! -.

Ora, do que é que se trata este Roommates. O livro apresenta-nos Jennifer que aspira a ser actriz e que quer tentar a sua chance em NY. Uma vez que é demasiado cedo para apostar numa residência já permanente na cidade, ela ocupa temporariamente o apartamento de Ethan, o seu meio-irmão, que ela não vê há anos pois depois de ter sido expulso da escola em que andavam, foi recambiado para um colégio militar e, mais tarde, mudou-se para a Grande Maçã, nunca mais voltando a pôr os pés em casa. Sou sincera quando afirmo que aquilo que me levou a pegar no livro foi o facto de se tratar de um romance entre meios-irmãos e também sou sincera quando afirmo que aquilo que eu li me surpreendeu por estar organizado de uma maneira que eu não contava. Acreditei que, uma vez que não tinham grandes afinidades, a coisa iria dar-se pela rota do costume (como na maioria dos livros eróticos): dois protagonistas lindos de morrer, muita tensão sexual e muito envolvimento físico que iria despoletar a (típica) semente do amor. Mas...estava enganada. Porque aquilo que o livro trata é a história de um rapaz e de uma rapariga que se conheceram quando andavam no ensino médio, que se gostavam em segredo e foram confrontados com o infortúnio de não poderem explorar os seus sentimentos por os seus pais decidirem casar. Pois é, pois é.

A história em si não é nada por aí além em termos de trama. De facto, a única coisa em vigor que desenvolveu todo o livro foram os sentimentos. É literalmente uma história de amor: uma história em que duas pessoas lidam com a novidade de proximidade não como se fossem parentes mas simplesmente um rapaz e uma rapariga que se gostam. Fiquei intrigada quando até mesmo na capa estava destacado que se tratavam de meios-irmãos mas a verdade é que nem os considerei realmente isso uma vez que não partilhavam mãe ou pai. A afinidade (o que é caso), para mim, não leva a que se afirme que duas pessoas possuam de um grau de parentesco. Por isso, o caso meio-irmãos? Não é literal. Pelo menos eu não o considerei.

A história dividiu-se tanto pelo ponto de vista de Ethan como de Jennifer, proporcionando a visão da relação de ambos os lados. Foi a perspectiva de cada um em relação ao outro que me fez perceber que o livro era muito mais do que sexo. O amor era palpável através de muito mais do que cama: a preocupação dele para com o bem-estar dela, o desejo de a fazer sorrir porque vê-la feliz era a melhor coisa do mundo, dar-lhe mais uma manta ou colocar-lhe umas meias enquanto estava a dormir para que ela não ficasse com frio. O que eles sentiam foi suficientemente verdadeiro para chegar até mim. Passei o livro praticamente todo a ansiar pelas cenas entre os personagens principais porque a química, o querer ignorar e suprimir os sentimentos que existiam há anos era extremamente doce e excitante com as palavras perfeitas. Foi todo o conjunto que me fez gostar tanto do que li.

Ao contrário de muitas opiniões que vi, para mim tratou-se de uma leitura quase perfeita. O livro apresentou aquele toque descontraído que eu adoro não só em narração como nas conversas entre personagens. A ausência de formalidade só faz com que me sinta próxima da história. Foi usado o essencial para personalizar situações e desenhar os personagens para que fossem melhor compreendidos (e, ding ding: coloquei mais um nome na minha lista de personagens masculinos favoritos), nada de floreados em narrativa extensa (ainda que esses saibam bem de vez em quando). Ainda que tudo tenha, em grande parte, correspondido e até superado as expectativas que eu tinha, senti falta de algo para que existisse perfeição.

A história é condimentada com as conversas perfeitas, temperada com à-vontade, temas actuais, menções a celebridades que eu acho sempre piada de ler e uma descontracção que vai fomentado a relação deles os dois na medida certa, no tempo certo, numa maneira bem querida e sentida. A química chegou a fazer faísca no meus olhos e a vertente sensual esteve maravilhosa qb. Contudo, na aplicação do sal e da pimenta faltou mais alguma coisa: o pouco para ser uma leitura sem nada a acrescentar. Todavia, falo deste livro de boca cheia! Foi exactamente aquilo que eu precisava, o prolongamento de algo bom, o gelado de chocolate depois de comer um dos meus pratos favoritos. Que bom que eu encalhei com isto. Estou super ansiosa para ler o próximo volume. E, meu Deus, já disse como eu fiquei feliz por ter lido algo em Inglês tão depressa? Porque fiquei mesmo. Uhuhh!

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