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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

10
Jul17

O que foi isto que eu li?

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Há uns tempos acabei o segundo livro dos novos que adquiri na feira do livro. Estive com ele por mais de duas semanas e a demora foi sustentada pela minha falta de vontade em lidar com algo que foi mais do mesmo. Só de pensar que na feira acabei por adquirir o resto da trilogia... O que o primeiro me proporcionou faz-me questionar sobre a qualidade dos seguintes.

Depois de eu ter lido o Protector, atirei-me ao Amante da mesma autora convicta da qualidade. Desta vez, em vez de um guarda costas e a menina bonita do papá eu iria ser brindada com uma designer de interiores e um homem podre de rico, aristocrata (acho que era o que estava apontado na sinopse), e eu pensei: que fixe, nunca li nada com uma rapariga com uma profissão destas. Já adivinhava o tipo de homem com que iria lidar mas estava de bem com isso: se a escritora soubesse o que estava a fazer, de algo que já está mais do que batido poderia sair algo agradável de se ler. A questão foi que aquilo que encontrei revelou-se exactamente o oposto depois de eu ter sido eludida com os primeiros capítulos.

Eu acreditei mesmo que iria gostar da história. O tipo de homem que o Jesse, o protagonista, é ficou à vista no início e eu fiquei satisfeita por me deparar com uma mulher com atitude, uma mulher que se impunha e não se deixava levar só porque o rapaz era bonito e poderoso. Contudo, o início do livro não passou disso mesmo: uma ilusão. Uma aldrabice bem diferente do que está mais para a frente.

Quebrei completamente o nível de leituras que andava a ter, passei de quatros (para cima) para um dois e meio; esse meio graças ao início e final do livro. O miolo? Tudo a mesma pasmaceira. Sexo, sexo e sexo. Foi uma história sem essência que em quinhentas e poucas páginas deu mais do mesmo e roda tudo o muito improvável. Foi mais um relacionamento repentino e isso leva-me a questionar se a autora conhece outro tipo de relações.

Este livro despertou uma data de sentimentos negativos em mim que eu às tantas fiquei confusa quanto àquilo que mais me desagradou: o livro ser mais do mesmo, a personagem feminina se ter revelado a coisa mais desenxabida ou o personagem masculino. Eu até então costumava apreciar a minha lista de personagens masculinos que adoro. Pela primeira vez criei uma categoria contrária. Achei este Jesse tão abominável que me é verdadeiramente complicado de entender como é que na sinopse está escrito que as mulheres se vão render a este homem. Ele é possessivo, obsessivo e, claramente, tem alguma perturbação mental para agir como agia para com ela. Vestir-lhe uma camisola à força porque não quer que o seu amigo a veja de top e calções, obrigá-la a fazer o que não quer, destruir-lhe um vestido em farrapos porque acha ser demasiado curto e não quer que os homens olhem para ela é a ponta do iceberg do terror que é este Jesse. E a miúda? Tão bipolar. Tão depressa está zangada como muda de atitude a um suspirar do homem - num sentido literal! - e já está a achar aceitável o facto de ele lhe estragar as roupas e de lhe comprometer o trabalho. Se houve coisa que este livro me ajudou a estabelecer foi o tipo de personagens que eu não gosto de todo.

Terminar este livro foi um alívio e deixou-me sedenta por um livro com cabeça, tronco e membros: uma coisa decente. O seguinte das leituras por que estava ansiosa foi o Dúvida Razoável. Um obrigada GIGANTE à Whitney G. por me ter ajudado a limpar a mente do desastre que foi o Amante. O Christian Grey ao lado deste tipo? É um santo. 

05
Jul17

Aero-Vederci Baby!

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Fui ver os Aerosmith na semana passada e...fogo, dá para acreditar que, entretanto, já se passou mais de uma semana? Uma vez que as minhas folgas se dão às quintas e às sextas, a minha única alternativa para ir ao concerto era trocar de folga e foi isso que eu fiz. A troca levou-me a ir para o parque das nações cedo e garantir desde logo o meu lugar na fila para entrar. O tempo de espera não foi longo, o que foi uma surpresa. Estava já em fila por volta das duas horas e quando me apercebi já eram quase cinco. Pouco depois a Smartie apareceu ao pé de mim e mais uns compassos de tempo estávamos prontas a entrar na arena. Ao contrário do que eu pensava, não choveu. Estava um calor dos diabos e o meu único arrependimento foi não ter levado com protector solar.

Os Aerosmith só brindaram o público com a sua presença pro volta das dez da noite, mas antes ainda tivemos a oportunidade de assistir a uma primeira parte: RavenEye: nunca tinha ouvido falar. Os primeiros acordes de abertura levaram-me a duvidar da qualidade do que iria ouvir, no entanto, não foi mau de todo. Foi uma curta primeira parte bastante rockeira, agradável e louca qb. Dei por mim a apreciar sem fazer cara feia e até a abanar a cabeça. Não fiquei deslumbrada ao ponto de ir sair a correr para ir comprar tudo da banda, mas se agora me falarem de RavenEye já sei do que se está a falar e que não é de se deitar fora.

Estava muito entusiasmada quando os Aerosmith pisaram o palco. A energia da banda é inquestionável. Conhecia mal a maior parte das músicas tocadas mas foi fácil acompanhar a explosão que são quando actuam. O Steven tem pilhas duracel acabadas de estrear. O homem é completamente louco e mostrou que ainda dá muito para as curvas. Tem uma energia invejável e a sua voz...caraças: eu pensei que não fosse a mesma, mas confirmo que tem o poder de antigamente. Foi sem dúvida o melhor da noite aliado à oportunidade da banda em si também ter tido a sua oportunidade de brilhar: isso foi para lá de maravilhoso e deu mais essência ao espectáculo. Os Aerosmith são daquele tipo de banda que sobe ao palco para tocar música e apenas isso. A relação com o público foi quase zero mas houve bastante química entre os dois elementos pelo incentivo do Steven em ter o acompanhamento dos fans no que era cantado.

O concerto foi um espectáculo essencialmente musical, com pouco destaque a efeitos visuais (o próprio palco bastante simples). Não foi dos mais estrondosos que eu já assisti, mas nem por isso ficou claro que a banda tem menos qualidade do se julga: pelo contrário. E as músicas? Conhecer poucas faz com que eu não possa opinar sobre o que foi escolhido, e se isso foi inteligente ou não, mas posso mencionar como ficou claro quais as preferidas do público quando de aplausos e gritos a arena foi preenchida por uma voz colectiva que estava a sentir uma I Don't Wanna Miss A Thing e uma Cryin'.Cheguei a chorar um pouco na música do Armageddon e tudo: foi cantada com tanta paixão que os meus olhos, ao varrerem o público, fizeram-me ver não ser a única a sentir o peso daquele tema pelos muitos abraços que presenciei. Foi um dos momentos mais bonitos da noite.

Houve muito sentimento no MeoArena e a satisfação por se ter assistido a um grande concerto foi global. De facto, não apanhei crítica negativa nenhuma. Mas eish que aqui estou eu a tirar o pan e a afirmar que houve sim uma coisa menos boa. O pecados dos pecados: deixaram  a Crazy de fora do alinhamento. COMO ASSIM DEIXARAM A CRAZY DE FORA?! Era a que eu estava mais ansiosa por ouvir, a que não podia ficar em falta para mim, e foi a que não viu a luz do dia. Tenho estado a ouvir Aerosmith no carro desde o dia do concerto: as vezes que já ouvi a Crazy ainda não chegaram para compensar a falta da música no concerto, essa é que é essa, humpf.

06
Jun17

O livro do guarda-costas e a menina bonita do papá.

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Primeira aquisição da feira do livro deste ano? Completamente devorada. Não lia um livro tão rápido desde os livros da Elle Kennedy que devorei algures em Maio. Estava tão animada com a temática deste livro que pegar nele e embrenhar-me na história foi uma das coisas mais fáceis de sempre. Comprei-o na sexta, comecei a lê-lo no mesmo dia e acabei-o hoje de madrugada. Tecnicamente demorei à volta de três dias, no entanto, não deixo de pensar quão rápido o li, em comparação com os últimos tempos, tendo em conta que, até o acabar, sábado, domingo e segunda não li mais do que duas horas e meia por dia - sim, eu contei -.

Ora bem, guarda-costas. Eu adoro histórias de guarda-costas. Não, o filme com a Whitney Houston não é dos meus preferidos, mas em livro há qualquer coisa de intenso nesse tipo de história. O Protector de Jodi Malpas oferece-nos a história de amor entre um guarda-costas e a rapariga que ele é contratado para proteger. Ao contrário do que eu pensava, o que mais me interessou neste livro foi a trama por trás do que a punha em perigo. Há vários segredos por desvendar ao longo da história, principalmente relacionados com o personagem principal, e, ainda que eu tenha andado às voltas com as minhas teorias, os fantasmas do homem não me moveram como o porquê de a rapariga estar em risco. Claro que ele tinha problemas, claro que ele escondia algo, claro que o que quer que tivesse acontecido ainda o deixava um farrapo e eu queria saber o que era, no entanto, não era por causa dele que ela estava em apuros. Toda eu fui movida por esse caminho, pela curiosidade de descobrir o porquê de lhe quererem fazer mal. E face à descoberta...não posso dizer que tenha ficado desiludida. As bases até foram boas e também acho que a escritora soube construir a trama. A mesma opinião não tive sobre a relação amorosa do livro.

Não sei dizer a última vez que li um livro em que acabasse com uma opinião tão morna sobre a junção de duas personagens. Eu gostei que eles tivessem ficado juntos: uma das coisas que mais gostei foi o impacto que eles tiveram um no outro, acho que a Jodi Malpas soube dar os toques certos em pormenores neste ponto: a química entre a Camille e o Jake é muito evidente e eu nem sequer embirrei com o facto de esta estar à vista no primeiro momento em que eles se vêem. Quer dizer, eu acredito que essas coisas acontecem. O que não aconteceu foi essa química chegar a mim. Eu adoro deparar-me com histórias em que a atracção entre os personagens é tão viva, que eu, ao ler, chego a ficar com borboletas na barriga. A relação da Camille e do Jake não me trouxe nada e perante isso todo o tipo de desenvolvimentos na relação deles com o avançar da história me pareceu repentino.

As noções de tempo também me pareceram confusas. Num dia o segurança é contratado, noutro tem a indicação de um prazo de três dias. Findam os três dias com eles super apaixonados e a indicação de que ela o conhece há semanas. Como assim, semanas? Ela não o conhece quando ele começa a ser o seu guarda-costas? Há três/quatro dias? A ideia com que eu fiquei foi que a acção se desenrola em menos de uma semana: a escritora, pelos vistos, não tem a mesma ideia.

Não posso dizer que tenha sido um livro mau porque não foi. Eu gostei do que li. Em cinco, dei-lhe um quatro porque tem mais qualquer coisa do que envolvimentos numa cama/casa de banho/ao ar livre. Eu gostei do contraste do primeiro impacto: a atracção misturada com aversão. Gostei da maneira como ela, mais tarde, mostrou confiar nele sem pensar duas vezes, gostei dos momentos em que ela estava em segurança, não se estavam a comer, e ambos não faziam mais do que desfrutar da companhia um do outro, gostei da coragem dela na maneira como lidou com o pouco que sabia do passado dele e o respeitou, sem forçar a barra, em relação ao mesmo, da trama, repito, apreciei as ideias em que a história foi construída e, já agora, da capa: bem que cumpre o seu propósito e faz o produto vender. Estou neste momento a ler o segundo livro que comprei da mesma escritora na feira do livro. Diz que foi um best-seller: a ver o que vou encontrar aqui.

14
Abr17

"Vou amar-te para sempre. Mesmo quando não conseguir"

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No dia em que a Smartie fez anos eu regressei a casa com mais um livro. Estivemos durante um bom bocado no seu escritório a tirar fotos com as suas figuras de colecção, a preencher o tempo com conversa e várias foram as vezes que os meus olhos vaguearam por todos os livros que ela tem. A minha irmã levou alguns emprestados para devorar na pausa da Páscoa e eu...eu acabei por comentar algo sobre o Confesso da Colleen Hoover. Sobre o livro e sobre a série. Como acabou o tópico de conversa? Com um "quer dizer, sim, quero levá-lo" da minha parte.

Depois de ter estado mais de um mês sem conseguir pegar em livro que fosse, eu consegui ultrapassar a minha crise com o livro d' A Bela e o Monstro. A ideia era devorar o livro em inglês, primeiro, quando o tivesse, mas a adaptação do filme acabou por me ser oferecida antes. Comecei por dar uma vista de olhos e quando dei por isso já o estava quase a terminar. Foi preciso o livro de uma das minhas histórias preferidas me vir parar às mãos para eu começar a colocar para trás das costas o meu período de abstinência. Quando o Confesso me veio parar às mãos eu já tinha agarrado o livro da Daenerys e faltava-me pouco para chegar ao fim, contudo, estipulei de imediato que seria a próxima leitura e usei o próprio como incentivo para despachar o George R. R. Martin o quanto antes.

O Confesso não demorou mais que dois dias nas minhas mãos. Agarrei-me a ele com motivação e de expectativas bem elevadas porque já tinha ficado bem impressionada com o Amor Cruel. Mas, ainda que esperasse algo bem bom e do meu agrado, não estava preparada para aquilo que o Confesso me proporcionou. Devorei cada pedacinho da história, espicaçada pela lentidão com que os detalhes da história eram revelados: afinal quais eram os seus segredos?! Logo desde o início senti que estava a lidar com coisas complicadas, ainda que não adivinhasse nada de muito mau (estilo: ninguém andava fugido por terem morto alguém ou assim). O meu cérebro viu-se obrigado a lidar com misturas: ora líquido pela fofice portada pelo livro, ora torturado pelo mais que queria saber e que ainda não era revelado. Uma coisa era definitivamente certa: estava a lidar com personagens bem fortes de espírito pelo muito com que já tinham lidado apesar de jovens. E, ah, não resisto a uma pequena nota: achei extremamente interessante o livro portar figuras, as pinturas do protagonista. Deu mais realismo à história e satisfez-me imenso enquanto leitora. Isto para não falar da ideia das confissões que podiam inspirar pinturas. GE.NI.AL.

Bastou o primeiro parágrafo do capítulo contado pelo Owen para ficar caidinha por ele e metê-lo na salganhada ordenada que é a minha lista de personagens masculinos preferidos. Quem é que resiste a uma alma carinhosa que não se preocupa por fachada? Eu não resisti. Achei-o extremamente parecido ao Andrew Parish do Entre o Agora e o Nunca/Sempre na maneira como se dava à Auburn e se prontificava a qualquer necessidade que ela tivesse. Era exactamente o Andrew fazia pela Camryn e o que me fez gostar tanto dele. Apesar dos segredos dos Owen, foi a honestidade e a maneira de como via a Auburn que me fez ficar pelo beicinho por este artista e pelo livro (VOU TER DE O COMPRAR!).

Pensando bem, acho que a qualquer momento do livro eu já poderia adivinhar a trama que o compunha: o que ela escondia, os problemas que poderia ter, parte de como deveria agir para os resolver... Porém, a história é composta por magia, por uma arte que demonstra que as pessoas são iguais, compostas por qualidades e defeitos. De facto, acho que posso dizer que uma das bases e lições que está por detrás da história do Confesso é que todos portam os seus segredos e têm um lado sombrio.

O que faz com que os livros da Colleen Hoover sejam bons de se ler é a sua capacidade para contar a história. Fá-lo de uma forma tão simples, porém, realmente sentida. O meu coração adora esse tipo de coisas. Eu gostei muito do que ela me proporcionou com o Amor Cruel. Com este Confesso? Bem: passei a história toda a ambicionar justiça no meio de "awww" e "raios partam!" para chegar ao fim e...chorar. Aquele tipo de choro em que uma pessoa nem dá por isso. Fiquei totalmente rendida e, ainda que me tenha sentido frágil, estava a desejar por tudo não me afundar numa ressaca literária.

Tenho estado a ler livros bons. Li quatro livros depois de devorar a história d' A Bela e o Monstro e a minha fasquia tem estado elevada por o meu espírito ter passado a ser saciado com coisas boas... Daqui só tiro uma coisa: com livros destes, ainda não estou pronta para histórias previsíveis e de qualidade mediana.

09
Mar17

Dream Machine.

Tãooooo bom! Adeus tortura provocada pela espera, olá tortura provocada por o que se ouve ser demasiado bom. Isto é um post completo com viagens ao passado incluídas. Porque atirar-me a Dream Machine deu nisso. Estava tão entusiasmada que necessitei de experienciar a coisa dia-a-dia até sair da minha bolha. Por isso, antes do presente, antes de apreciações gerais, há passado (e depois, duas linhas que separam o passado do presente):

 

"Dia 3 de Março de 2017

 

- Saiu! Finalmente saiu! E está toda a gente a falar sobre isso. Decidi, mais uma vez, apenas ouvir tudo quando tiver o álbum em mãos, mas nada me impede de ser curiosa e cuscar reacções. A minha primeira impressão sobre a saída é que a banda bem tinha motivos para se orgulhar deste trabalho e o destacar em relação aos outros. As pessoas estão a passar-se: é cada reacção melhor que outra. Há tanta gente a dizer tanto com tão pouco: muita emoção pelo novo trabalho dos rapazes, é o que é. Eu estou tããããooooo curiosa que quase me arrependo da minha decisão! Mas coragem!

- Uma das gémeas não foi capaz de aguentar. Esteve a ouvir o álbum enquanto eu fazia bolo de aveia e crepes coloridos. Eu bem a vi a morrer à medida que as músicas avançavam. No fim, quando lhe perguntei o que tinha achado, a resposta dela quanto a sua opinião resumiu-se a gestos: um coração arrancado e lágrimas. Eu-estou-tão-feita.

 

Dia 4 de Março de 2017 (um dia depois da saída do álbum)

 

- Para que é que servem almoços de família? Para distrair uma pessoa e tornar possível não pensar no que se quer para não se cair em tentação. Bendito almoço! Bendita reunião de família com crianças por todos os lados e tios que não via há mil anos. Com três putos a portarem-se mal, a ignorarem os adultos como se fossem os reis do mundo, quem é que consegue um minuto para morrer ao pensar nas músicas que está a perder?

 

Dia 5 de Março de 2017 (dois dias depois da saída do álbum)

 

- Domingo devia significar limpezas, mas hoje foi uma saída para fotografias. E eu não podia estar mais despreocupada com o céu nublado. Que chovesse! Eu estava a desafiar! Ambas a gémeas ouviram música durante o caminho para Lisboa. Eu bem sabia o que uma delas estava a ouvir. Felizmente, a felicidade de tirar fotos ocupou a minha mente. Nada melhor do que isso para eu não pensar no álbum. Distrair-me do novo CD que ainda não ouvi é tão mais fácil quando o consigo fazer com coisas que gosto: é um facto.

 

Dia 6 de Março de 2017 (três dias depois da saída do álbum)

 

- Oh, merda! Merda, merda! Quase, quaseeeeeee arruinei tudo! Raios partam o vício do instagram! Estava tudo a correr tão bem...a espera estava a ser relativamente fácil de aguentar e BAM! Quase tudo por água abaixo por causa da porra de um vídeo. Nota mental: independentemente do que quer que seja o vídeo que me proponho a ver, o som tem de estar desactivado. É IMPERATIVO que esteja desactivado. Só por mais uns dias. Para quem esperou tanto tempo, sexta-feira está só a dois quarteirões de distância.

 

Dia 7 de Março de 2017 (quatro dias depois da saída do álbum)

 

- Está-tudo-espetado-em-todo-o-lado. Como é que eu posso sobreviver assim?! A gémea que já ouviu não faz mais do que ouvir o álbum e afirmar que quer cantar e que se não o faz é por minha causa. E as redes sociais? Oh meu Deus: as redes sociais! Elas são a minha desgraça. Se eu me arranjo com os vídeos ao tirar-lhes o som eu não o consigo fazer com fotos. Ceguei-me temporariamente. Teve de ser. As letras estão em todo o lado, fotos que vêm com a versão deluxe: um coração carenciado não aguenta. Tenho-me perguntado sobre que músicas vou gostar mais. Não me oriento com mais do que expectativa e imaginação. Mas sexta-feira está cada vez mais perto! Ahhh!

 

Dia 8 de Março de 2017 (cinco dias depois da saída do álbum)

 

- OH MEU DEUS, OH MEU DEUS, OH MEU DEUS! Chegou mais cedo! CHEGOU MAIS CEDO!

- Hoje, que a caixa me veio para as mãos, já mal aguento a ansiedade e a curiosidade. Estou tão entusiasmada, tão morta por ouvir o material novo! Infelizmente, ouvir-ouvir só depois do jantar. A outra gémea, por sua vez, já ceifou a sua espera e ouviu o CD. Disse-me de sua justiça e além do "É TÃO BOM" que eu mais tenho ouvido e por que esperava, disse-me tratar-se de uma mistura entre coisas antigas e o que já se ouviu no Kings of Suburbia.

- Ai meu Deus. Agora. A espera acabou agora. Depois de tanto tempo à espera saí da bolha que me isolava do resto do mundo e voltei a integrar-me no núcleo, sem ser estranha ao que é falado. Agora, que ouvi, percebo o que a minha irmã me disse mais cedo."

//

Ora, apreciações mais esmiuçadas? (É tão óbvio porque estou a ser tão precisa. Não se trata da minha banda preferida nem nada):

 

1) Eu tinha uma ideia pré-concebida de determinadas músicas e nada correspondeu ao que eu esperava: é o que dá quando se está totalmente a zeros quanto ao que aí vem. Não saí desiludida com ne-nhu-ma. Uma vez que comprei a versão deluxe deste Dream Machine tenho em minha posse o álbum em instrumental e, depois de ter ouvido tudo, ter isso em minha posse só me deixa mais contente. Adoro ter uma melhor percepção do que está a ser tocado e adoro MUITO mais o facto de eu conseguir perceber mais do que sons digitais. Quer dizer: eles diziam que sim, mas porra: bateria, baixo e guitarra continuam mesmo a ser tocados! Quem diria que muitos sons que eu pensava ser de sintetizadores são na verdade guitarra. E, verdade seja dita: para mim, o jeito de quem a toca parece ainda melhor.

2) Ao contrário da opinião da banda, eu não acho que um CD com mais de dez músicas se torne cansativo quando estamos a falar de algo que gostamos mesmo-mesmo-mesmo-meeeeesssssssmmmmooooooooooooo muito. Por isso, se há algo a apontar em relação a este Dream Machine é que é pequeno! Dez músicas não são o suficiente. Dez músicas sabe a pouco e eu fiquei a morrer por mais. Não admira que depois de ontem eu já tenha ouvido o álbum por mais de dez vezes. Num próximo trabalho, espero que haja mais músicas: é que nunca são de mais.

3) Em comparação com trabalhos anteriores eu não consigo sobressair o Dream Machine e colocar os outros em planos inferiores. Vejo este trabalho como uma ramificação da evolução deles enquanto músicos e, raios, cada vez que olho para a contracapa do meu CD instrumental e vejo a ficha técnica sobre cada uma das músicas fico mesmo contente ao ver a quantidade de vezes que os nomes aparecem repetidos, tornando mesmo literal o tudo-feito-por-eles. É mesmo caso para um músico se sentir orgulhoso ao pensar no progresso que fez desde o começo até agora. Por isso: o que o Dream Machine tem de melhor em relação aos outros? O amor e orgulho da banda em relação a este trabalho em particular. São coisas que se notam e que passam para quem ouve. Pelo menos a mim passou.

4) Houve determinadas músicas em que não me escapei a associações com o que já conhecia. A Boy Don't Cry, por exemplo: o início da música faz-me lembrar a Fancy da Iggy Azalea; achei a Better com arranjos semelhantes à Stormy Weather, do álbum anterior, no refrão; e Stop Babe: a maneira como a música é cantada no início fez-me pensar na música Blue da Beyoncé.

5) Mesmo sem conhecer as músicas eu já tenho como dado adquirido o gosto pelo material novo porque, sei lá: trata-se da minha banda de topo dos topos desde há anos. Portanto, o que é o Dream Machine? Mais um álbum que ganhou um pedaço do meu coração. Ia dizer o nome de cada uma das músicas para afirmar como tudo tinha sido especial e me dito alguma coisa, contudo, atrás eu já tinha feito a declaração de como este trabalho me satisfez as medidas e encheu o meu coração. Mas, porque não aguento não fazer um destaque... Stop, Babe? Uma das músicas mais bonitas que já ouvi. Uma coisa pequena, tão simples, tão deliciosa e dolorosamente sentida (como a Elysa. Ai meu Deus: o que é aquilo?! Tão awesome!). Aquele tipo de música que é tão-tão bom que até custa respirar? Yap, that type. Arrancou e conservou o meu coração. E sem dúvida uma das minhas músicas favoritas de sempre. Arghh! Como é que ainda estou viva?! ❤

 

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