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Miss Nothing

"I am different ... Equal to the rest of the world."

13
Fev15

As sombras de que todos falam e de que posso falar também porque já vi.

Fifty-Shades-of-Grey-Poster-4.jpg

Acho que não cheguei a manifestar a minha real festa quando comprei, por fim, o passaporte para ver o filme. Quer dizer, era a garantia de que eu ia estar na sala de cinema para ver o início da história da Ana e do Christian. Como podia não me passar? Macacos me mordam se não fiquei um pouco nervosa e tudo. Acho que, no fundo, era o receio proporcionado pela minha extrema confiança de que não ia ser desiludia, exactamente por poder estar errada.

Até poucos dias antes de o filme começar a ser visto, no seu todo, fui vendo várias partes que foram aparecendo na internet, (fomentando a minha ansiedade, pois claro). E, já mais próximo da data, começaram a cair as críticas de quem já tinha tido oportunidade de ver. Deparei-me com muitos "Aiiii, foi fantástico/maravilhoso/perfeito! Não vão sair desiludidos!", mas palavra de fan acaba por nos levar a duvidar, não? Quer dizer, todos nós somos fans de algo ou de alguém e é-nos inevitável elevar a um patamar supremo aquilo de que gostamos. Por isso, ainda que tenha ficado estilo: "olha, boa, palavras bonitas" estava até curiosa para ver o que os grandes do costume tinham a dizer sobre o filme e...mais desapontada não poderia ter ficado. Quer dizer, foi mau. Muito mau mesmo. Não vi uma única crítica positiva (e decente) dos monstros da indústria e, uau, se antes de ontem a classificação dada ao filme no imdb era de 3,4 hoje é de 3,3. Muito mau. Contudo, este ponto é uma caca e a qualidade de um filme é sempre subjectiva uma vez que tudo se gere perante uma única coisa: o gosto.

Ver que o filme andava (e anda) a ser tão mal falado não me deixou chateada, o que me deixou aborrecida foi sim os argumentos usados para classificar o filme como mau. Eu não estou a exagerar quando digo que 90% das críticas que a minha pessoa leu basearam-se na exposição e exploração do sexo no filme. O maior problema era não estar explícito o suficiente e isso revoltou-me. Quando me pedem opiniões quer sobre um livro ou filme a minha preocupação é dar essência, algo que faça as pessoas decidirem o que fazer depois a partir dela. Como raio posso eu classificar um filme com base na duração das cenas de sexo do mesmo? Ou como posso classificar um filme com base no excesso de censura em determinadas cenas? Desculpem, mas acho feio ver nomes grandes a dizer coisas do tipo: "não é explícito o suficiente" ou "há cenas de sexo melhores" ou ainda "em comparação com Game os Thrones, GOT é melhor", coisa que nem percebi. Cheguei então à conclusão, - pela enésima vez, confesso -, que as pessoas são tão falsas como uma nota de três euros. Tudo o que está implícito quando se diz "As cinquenta sombras de Grey" gera uma total repulsa pelo seu universo sexual mas depois vêem-se queixas de que queriam mais do que o apresentado. Queriam sexo a valer. Queriam cenas à bruta e bem claras, em planos grandes. Essa faceta pseudo pudica chega a ver tão vergonhosa quanto o acto de roubar um chupa-chupa a uma criança, erguer a bandeira do país ao contrário ou, sei lá, ser ladrão mas fingir-se honesto. Por isso, para bem da minha saúde, coloquei as opiniões alheias de parte e aguentei o tempo que restava para ver o filme e decidir por mim o que raio achava do mesmo, não com base nas cenas de sexo, e no quão estas estavam nítidas - porque isso é a coisa mais peloamordasanta do mundo -, mas sim na forma de como tinham dado vida à história apresentada em papel.

 

[Breve aviso de possíveis futuros spoilers daqui em diante. Por muito que tente não os dar acredito que seja capaz de me escapar um ou outro - propositado ou não -.]

 

 

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